Capa mole, offset e impressão serigráfica, cortante especial nos cadernos do meio do miolo, 195x125mm,
192 pp., 300 exemplares.


Quem viaja encontra os segredos antigos
mas perde os sapatos novos


Rui de Almeida Paiva

textos: rui de almeida paiva
desenhos: Isaac Beeckman em Journaal (1604-1619)
fotografia: Rocha vulcânica de Stromboli, por Sofia Gonçalves
design: Flatland design

︎esgotado




Quem viaja encontra os segredos antigos mas perde os sapatos novos, de Rui de Almeida Paiva, sem nunca o premeditar, circunscreve uma hipótese para o encontro entre a ciência e a literatura. No decurso do livro o narrador apresenta-nos uma ciência muito particular – a Morfoetologia. Com ela, lança-se numa viagem (interior?) por lugares inóspitos, inexplorados, até julgar estar próximo da sua mais importante descoberta. Tão perto que é engolido por ela.

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Como estava a dizer: para caçar um animal como Dois Dias há primeiro que permitir pousar um membro significativo do caçador (nós próprios) na armadura bucal da presa.
Agora estou aqui fora. Como podem ver.
Evitarei descrever os aspetos higiénicos a que tive de me sujeitar após ter saído deste mostrengo. Avançarei, todavia, os contornos persuasivos que me levaram até aos documentos recuperados do interior da sua boca. Livros desgastados, de díspares modelos e feitios, que aparentam ter como conteúdos os registos íntimos de personagens desconcertantes.
Por agora, contentar-me-ei, numa primeira instância, a ler-vos algumas das passagens do que encontrei e trouxe cá para fora quando tive enfiado no espaço que se abriu entre Dois Dias.
Aqui vamos nós. Comecemos...

Rui de Almeida Paiva, Quem viaja encontra os segredos antigos mas perde os sapatos novos.
RUI DE ALMEIDA PAIVA tem trabalhado para diversos projectos de teatro, dança e cinema.
Conta com os seguintes livros publicados: A Mala Rápida do Senhor Parado(2010, editora Trinta por Uma Linha); Quem viaja encontra os segredos antigos mas perde os sapatos novos (2014, Dois Dias Edições); Efeito Kuleshov, com Joana Bértholo e Sofia Gonçalves (2014, Dois Dias Edições); Ministério da Educação (2015, editora Douda Correria); O Ploc do Pollock (2016, editora Caminho); Canções de Embalar Belos Planetas Cansados (2018, editora Douda Correria); Quem Vem Lá? (2019, editora Caminho); Se o Mundo é redondo o Pensamento é ao quadrado (2019, Dois Dias edições). A partir de 2017 iniciou colaboração teatral com Bruno Humberto. Desde então escreveram e encenaram as peças O Ploc do Pollock (2017), O Sequestro(2018), A Vila (2019), Interrupção – Pausa para Intervalos (2020),Peça para Intervalos (2021). Fez mestrado em Edição de Texto, na FCSH-UNL, em 2013, com a tese Jean Rouch: o cineasta da máquina de escrever ou o escritor da câmara de filmar, explorando a hipótese do trabalho de edição a partir da tradição oral. Escreveu e realizou o filme A Ilha Invisível (Produções Cedro Plátano), estreado no DocLisboa 2018. No âmbito da edição, fundou em 2011, com Sofia Gonçalves, a editora Dois Dias.
Tuesday Oct 5 2021